Quando era miúdo, os meus brinquedos preferidos eram carrinhos em miniatura da Majora , acho que era esta, a referida marca de fabricação, já não me lembro bem. Eram mesmo muito perfeitos, adorava-os. E fazer colecção de berlindes.
Um dia, quando ia com a mãe, ao mercado durante a manhã fazer compras como habitualmente, vi um carrinho na montra dos brinquedos que adorei. Tentei que mo comprasse, mas a minha mãe nada. E, nessas alturas, era mesmo um puto chato como ó caraças. Não me calava com aquela lenga-lenga do, ó mãe compra lá, ó mãe compra lá, que não havia meio de me calar até levar uns bons tabefes nas ventas. E logo de seguida, comecei a fazer uma birra do tamanho dum camião p’ra ver se a convencia a comprá-lo para me calar. Mas ela não ia na minha ronha. Já bem conhecida. Deixou-me berrar à vontade aos quatro ventos, ou até à quinta casa, sei lá. Berrava e prontos…
Deveria ter aí uns sete ou oito anos, na altura, não sei precisar mas devia andar por aí… Pois já andava na escola primária, mas como só tinha aulas da parte da tarde, a pedido do pai, na altura da matrícula, afim, de ficar com esse horário da tarde, porque era um terrível dorminhoco.
A partir daquele dia, até sonhava todas as noites com a porcaria daquele carrinho que tinha ficado gravado na retida dos olhos. Ainda me lembro quanto custavam: era 5$50 escudos cada um. Então, certo dia, tive uma ideia luminosa, e inventei uma maneira de arranjar dinheiro para o comprar. E pus o projecto a andar.
Recortei bonecos dos livros aos quadradinhos - desenhos animados - e comecei a colá-los uns aos outros, todos em fita para fazer um filme. Arranjei uma caixa de papelão de sapatos, e recortei-a de modo a fazer uma janela onde iria passar o filme de desenhos animados, por meio duma geringonça em arame que ia dando à manivela à medida que passava a história aos quadradinhos - Método esse, que me serviu ainda, mais tarde, já com 14 e 15 anos, para cabular quando tinha prova escrita. Só que desta feita, com elásticos em vez da dita manivela em arame.
Nas traseiras da casa, tinha um quintal, com uma casinha feita em madeira onde se guardava ferramentas e afins… era onde costumava brincar, e levava para lá os meus amigos. Todos eles gostavam de lá estar.
Então comecei a fazer publicidade ao meu cinema e, todos eles começaram a passar palavra. Só que lhes tinha dito, que para irem ao meu cinema, teriam de pagar 20 centavos (dois tostões) mas eles não se importaram com isso, estavam mesmo muito entusiasmados pelo facto de irem ao cinema. E consegui entre todos, reunir uns dez ou doze amigos, entre rapazes e raparigas, que pagaram os ditos dois tostões.
Chegada a altura, era uma galhofada bem divertida, todos eles, sentados no chão à minha frente, eu era o único que ficava de pé a fazer cinema. Ainda mal sabia ler, era muito trapalhão na leitura, desta feita, e dado que tinha uma imaginação fértil, para inventar, à medida que enrolava cada imagem, iam inventado uma história o mais aproximado dos desenhos que se enrolavam. Eles adoravam. Mas mesmo assim, não consegui reunir dinheiro suficiente para comprar o maldito carrinho…
Teria de fazer mais duas ou três secções para reunir o dinheiro necessário. Isso implicava que teria de colar mais desenhos para fazer outro cinema. Mas como já não tinha piada e perdia muito tempo nas colagens, só fiz mais uma… mas o cinema continuava com as mesmas imagens que ia intercalando entre as secções. Só alterava a história. E eles, nem notavam nessas pequenas diferenças. Queriam, era que a história fosse diferente oralmente, mesmo que os desenhos fossem os mesmos.
E assim, acabei por comprar o dito carrinho.
No dia seguinte, quando ia com a mãe à praça. Comecei a puxá-la com toda a força para dentro da loja dos brinquedos. Não sejas chato Tómane, já disse no outro dia que não te comprava nenhum carrinho. Eu, todo vitorioso, puxo do dinheiro que trazia no bolso e dei-lho para mo comprar. Onde arranjaste tu este dinheiro? No cinema, respondi eu… Qual cinema?.. ela encolheu os ombros e não me fez mais perguntas. Acrescentando apenas; quando chegarmos a casa, vais-me contar isso tudo direitinho do cinema.
Queria lá saber, já tinha adquirido o carrinho que tanto sonhara com ele, que nessa noite, até dormi com ele debaixo da almofada. Naquela altura, era o puto mais feliz do mundo…
Um dia, quando ia com a mãe, ao mercado durante a manhã fazer compras como habitualmente, vi um carrinho na montra dos brinquedos que adorei. Tentei que mo comprasse, mas a minha mãe nada. E, nessas alturas, era mesmo um puto chato como ó caraças. Não me calava com aquela lenga-lenga do, ó mãe compra lá, ó mãe compra lá, que não havia meio de me calar até levar uns bons tabefes nas ventas. E logo de seguida, comecei a fazer uma birra do tamanho dum camião p’ra ver se a convencia a comprá-lo para me calar. Mas ela não ia na minha ronha. Já bem conhecida. Deixou-me berrar à vontade aos quatro ventos, ou até à quinta casa, sei lá. Berrava e prontos…
Deveria ter aí uns sete ou oito anos, na altura, não sei precisar mas devia andar por aí… Pois já andava na escola primária, mas como só tinha aulas da parte da tarde, a pedido do pai, na altura da matrícula, afim, de ficar com esse horário da tarde, porque era um terrível dorminhoco.
A partir daquele dia, até sonhava todas as noites com a porcaria daquele carrinho que tinha ficado gravado na retida dos olhos. Ainda me lembro quanto custavam: era 5$50 escudos cada um. Então, certo dia, tive uma ideia luminosa, e inventei uma maneira de arranjar dinheiro para o comprar. E pus o projecto a andar.
Recortei bonecos dos livros aos quadradinhos - desenhos animados - e comecei a colá-los uns aos outros, todos em fita para fazer um filme. Arranjei uma caixa de papelão de sapatos, e recortei-a de modo a fazer uma janela onde iria passar o filme de desenhos animados, por meio duma geringonça em arame que ia dando à manivela à medida que passava a história aos quadradinhos - Método esse, que me serviu ainda, mais tarde, já com 14 e 15 anos, para cabular quando tinha prova escrita. Só que desta feita, com elásticos em vez da dita manivela em arame.
Nas traseiras da casa, tinha um quintal, com uma casinha feita em madeira onde se guardava ferramentas e afins… era onde costumava brincar, e levava para lá os meus amigos. Todos eles gostavam de lá estar.
Então comecei a fazer publicidade ao meu cinema e, todos eles começaram a passar palavra. Só que lhes tinha dito, que para irem ao meu cinema, teriam de pagar 20 centavos (dois tostões) mas eles não se importaram com isso, estavam mesmo muito entusiasmados pelo facto de irem ao cinema. E consegui entre todos, reunir uns dez ou doze amigos, entre rapazes e raparigas, que pagaram os ditos dois tostões.
Chegada a altura, era uma galhofada bem divertida, todos eles, sentados no chão à minha frente, eu era o único que ficava de pé a fazer cinema. Ainda mal sabia ler, era muito trapalhão na leitura, desta feita, e dado que tinha uma imaginação fértil, para inventar, à medida que enrolava cada imagem, iam inventado uma história o mais aproximado dos desenhos que se enrolavam. Eles adoravam. Mas mesmo assim, não consegui reunir dinheiro suficiente para comprar o maldito carrinho…
Teria de fazer mais duas ou três secções para reunir o dinheiro necessário. Isso implicava que teria de colar mais desenhos para fazer outro cinema. Mas como já não tinha piada e perdia muito tempo nas colagens, só fiz mais uma… mas o cinema continuava com as mesmas imagens que ia intercalando entre as secções. Só alterava a história. E eles, nem notavam nessas pequenas diferenças. Queriam, era que a história fosse diferente oralmente, mesmo que os desenhos fossem os mesmos.
E assim, acabei por comprar o dito carrinho.
No dia seguinte, quando ia com a mãe à praça. Comecei a puxá-la com toda a força para dentro da loja dos brinquedos. Não sejas chato Tómane, já disse no outro dia que não te comprava nenhum carrinho. Eu, todo vitorioso, puxo do dinheiro que trazia no bolso e dei-lho para mo comprar. Onde arranjaste tu este dinheiro? No cinema, respondi eu… Qual cinema?.. ela encolheu os ombros e não me fez mais perguntas. Acrescentando apenas; quando chegarmos a casa, vais-me contar isso tudo direitinho do cinema.
Queria lá saber, já tinha adquirido o carrinho que tanto sonhara com ele, que nessa noite, até dormi com ele debaixo da almofada. Naquela altura, era o puto mais feliz do mundo…
Bolas negras, em fundo branco
Qualquer semelhança com a realidade é pura especulação imaginada, não descurando os aspectos mais interessantes nos sentimentos humanos, como sejam nas emoções e na própria envolvência com a vida, que de certa forma, se tornam quase semelhantes em cada ser. Este conto foi elaborado e escrito entre 21 de Outubro e 2 de Novembro… o qual me deu um tremendo gozo arquitectar as situações quase momentaneamente em que as escrevia como se fosse um filme de fita vazia que se preenchia à medida que as palavras surgiam.
Não perdi tempo, nem dinheiro nesta edição a roçar o virtual. Pode-se perder uma amizade, um sorriso, uma palavra de carinho ou agradecimento… mas de seguida, também se poderá encontrar logo outra que nos acalenta a vida em estrondosas gargalhadas… Meus amigos, mais uma vez, a minha predisposição no montar as palavras foram com a maior das boas intenções que partilhei este meu conto, sem qualquer espécie de pretensiosismo. Sempre que escrevia, era à velocidade do pensamento sem qualquer esquema previamente montado, nem revisado, pois as palavras iam rolando à medida que assumia a trama, a paixão e o amor proibido do próprio conto apropriava-se livremente do meu pensamento. E eram elas, as palavras, que comandavam a minha imaginação, a minha fantasia e a minha vontade, e as quais galopavam desenfreadamente sem qualquer controlo na escrita, era na emoção desencadeada e no próprio sentimento subjacente a todos os sentidos que nos comanda a força de viver que as manobrava de forma espontânea.
Não quero ser escritor, não pretendo nem sequer, ter tal afoito neste meu fragmento, porque escrever é uma tarefa árdua e muito dolorosa. Mas ao mesmo tempo, vou ganhando uma maior cumplicidade com as letras e elas ganham estigma para nunca desistir de escrever. Se numa remota hipótese um dia publicasse algo meu, continuaria a não ser escritor, mas sim um homem que ama as palavras que inventa e escreve duma forma sentida envolvendo-me nelas, à medida que elas tomam posse de mim como se apenas fosse o veículo que as transposta. Escrever por si, só, não se torna complicado, mas quando se tem a perfeita noção das limitações subjacentes na articulação das palavras numa gramática asserível e bem estruturada a todos, e sobretudo àqueles que a dominam com uma mestria linguística, o que não é o meu caso. O prazer de escrever acresce os valores da língua como uma mais-valia. Quando tiver a perfeita noção cuja minha escrita trará algo de novo, e encontrar essa linha condutora que me norteia, num cunho pessoal da qual ela faça a diferença, então publicarei. Mas nunca serei um escritor, mas apenas um homem que ama a sua língua tanto escrita e até na sua própria sonoridade. Muito ainda terei que fazer para aperfeiçoar e aprender a dominar as palavras. Mas bem ou mal, elas serão sempre minhas, e só deixarão de o ser quando forem publicadas, porque aí, passará a ser do publico que as lerá, e os quais tornar-se-ão meus cúmplices nesta mesma fantástica inocência que me domina, e assim, libertei-me delas.
Acreditem, quando deixar de escrever, é porque morri… Deixarei ficar um bloco em branco, vazio. Aos amigos que tiveram o privilégio do ser e me leram, com o intuito de o preencherem com as vossas palavras mais sentidas nesse bloco, agora vazio… Mas partirei feliz, porque tenho plena consciência que muitas delas, ficarão para sempre dentro de vós como uma espécie de ensinamento à vida. Arrojo ou arrogância? Talvez, mas é assim que o sinto.
Agora meus amigos, vou descansar um pouco de escrever e irei dedicar-me mais à leitura de dois livros que me aguardam para serem lidos, um do António Lobo Antunes – O Arquipélago da Insónia e outro da Margarida Rebelo Pinto – Português Suave. Mas obviamente, aquele por quem nutro uma maior simpatia é sem margem para dúvidas António Lobo Antunes, muito embora, acredite, que a Margarida quando chegar à mesma idade terá o seu espaço garantido no meio literário, já o tem, claro… Mas refiro-me àqueles romancistas que nunca mais morrem, porque ficarão eternos.

Todos os textos publicados no blog Andy More assim como no Friedrich Andy igualmente no Netlog são de autoria do próprio, não sendo permitido qualquer espécie cópia, quer seja ela através de fotocopia ou de outra forma digitalizada por se reservar os direitos de autoria.
Qualquer semelhança com a realidade é pura especulação imaginada, não descurando os aspectos mais interessantes nos sentimentos humanos, como sejam nas emoções e na própria envolvência com a vida, que de certa forma, se tornam quase semelhantes em cada ser. Este conto foi elaborado e escrito entre 21 de Outubro e 2 de Novembro… o qual me deu um tremendo gozo arquitectar as situações quase momentaneamente em que as escrevia como se fosse um filme de fita vazia que se preenchia à medida que as palavras surgiam.
Não perdi tempo, nem dinheiro nesta edição a roçar o virtual. Pode-se perder uma amizade, um sorriso, uma palavra de carinho ou agradecimento… mas de seguida, também se poderá encontrar logo outra que nos acalenta a vida em estrondosas gargalhadas… Meus amigos, mais uma vez, a minha predisposição no montar as palavras foram com a maior das boas intenções que partilhei este meu conto, sem qualquer espécie de pretensiosismo. Sempre que escrevia, era à velocidade do pensamento sem qualquer esquema previamente montado, nem revisado, pois as palavras iam rolando à medida que assumia a trama, a paixão e o amor proibido do próprio conto apropriava-se livremente do meu pensamento. E eram elas, as palavras, que comandavam a minha imaginação, a minha fantasia e a minha vontade, e as quais galopavam desenfreadamente sem qualquer controlo na escrita, era na emoção desencadeada e no próprio sentimento subjacente a todos os sentidos que nos comanda a força de viver que as manobrava de forma espontânea.
Não quero ser escritor, não pretendo nem sequer, ter tal afoito neste meu fragmento, porque escrever é uma tarefa árdua e muito dolorosa. Mas ao mesmo tempo, vou ganhando uma maior cumplicidade com as letras e elas ganham estigma para nunca desistir de escrever. Se numa remota hipótese um dia publicasse algo meu, continuaria a não ser escritor, mas sim um homem que ama as palavras que inventa e escreve duma forma sentida envolvendo-me nelas, à medida que elas tomam posse de mim como se apenas fosse o veículo que as transposta. Escrever por si, só, não se torna complicado, mas quando se tem a perfeita noção das limitações subjacentes na articulação das palavras numa gramática asserível e bem estruturada a todos, e sobretudo àqueles que a dominam com uma mestria linguística, o que não é o meu caso. O prazer de escrever acresce os valores da língua como uma mais-valia. Quando tiver a perfeita noção cuja minha escrita trará algo de novo, e encontrar essa linha condutora que me norteia, num cunho pessoal da qual ela faça a diferença, então publicarei. Mas nunca serei um escritor, mas apenas um homem que ama a sua língua tanto escrita e até na sua própria sonoridade. Muito ainda terei que fazer para aperfeiçoar e aprender a dominar as palavras. Mas bem ou mal, elas serão sempre minhas, e só deixarão de o ser quando forem publicadas, porque aí, passará a ser do publico que as lerá, e os quais tornar-se-ão meus cúmplices nesta mesma fantástica inocência que me domina, e assim, libertei-me delas.
Acreditem, quando deixar de escrever, é porque morri… Deixarei ficar um bloco em branco, vazio. Aos amigos que tiveram o privilégio do ser e me leram, com o intuito de o preencherem com as vossas palavras mais sentidas nesse bloco, agora vazio… Mas partirei feliz, porque tenho plena consciência que muitas delas, ficarão para sempre dentro de vós como uma espécie de ensinamento à vida. Arrojo ou arrogância? Talvez, mas é assim que o sinto.
Agora meus amigos, vou descansar um pouco de escrever e irei dedicar-me mais à leitura de dois livros que me aguardam para serem lidos, um do António Lobo Antunes – O Arquipélago da Insónia e outro da Margarida Rebelo Pinto – Português Suave. Mas obviamente, aquele por quem nutro uma maior simpatia é sem margem para dúvidas António Lobo Antunes, muito embora, acredite, que a Margarida quando chegar à mesma idade terá o seu espaço garantido no meio literário, já o tem, claro… Mas refiro-me àqueles romancistas que nunca mais morrem, porque ficarão eternos.

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Andy




